Netflix Clips: oportunidade ou ameaça para criadores de vídeos curtos?
Netflix Clips: a forma de consumir conteúdo está mudando
A Netflix lançou recentemente um novo recurso no app para celular, o "Clips". Antes, a pessoa buscava um filme ou série ou olhava a lista de recomendações e escolhia o que assistir; agora, surgiu um novo caminho: assistir primeiro a um vídeo curto vertical e, se gostar, emendar direto no título completo.
Vale deixar claro: a Netflix não virou uma plataforma em que criadores comuns podem publicar os próprios vídeos. Mas o fato de um gigante global do streaming adotar com força o formato de vídeo curto é uma mudança importante, que mostra para onde o mercado de conteúdo está indo.
Então, o que o Netflix Clips significa para o mercado de conteúdo? E como essa mudança pode afetar os criadores de vídeos curtos e os editores profissionais? Vamos ver em detalhes neste artigo.
O que o Netflix Clips realmente significa
Até agora, os vídeos curtos costumavam ser vistos como um conteúdo independente. Mas a chegada deles à Netflix mostra que o papel desse formato está mudando.
A essência do Netflix Clips vai além de fazer a pessoa assistir a um vídeo curto até o fim: a ideia é usar vídeos curtos para despertar o interesse por um filme ou série e, depois, levar o espectador a assistir ao título completo.
O vídeo curto como "porta de entrada" para o conteúdo longo
Ou seja, é provável que os vídeos curtos deixem de ser apenas um conteúdo para gerar visualizações e passem a funcionar cada vez mais como a "porta de entrada" que leva o público para o conteúdo longo.
E essa tendência não vale só para filmes e séries.
A expectativa é que fique cada vez mais comum editar os trechos mais interessantes de entrevistas longas, aulas e conteúdos de marca em vídeos curtos para despertar o interesse e, depois, levar o público ao vídeo completo.
Não um vídeo fechado em si, mas um "conteúdo que faz a pessoa querer ver o próximo"
Outro ponto que merece atenção é a forma de estruturar os vídeos curtos.
Até aqui, a maioria era de conteúdos fechados, que entregavam uma ideia completa dentro de um vídeo curto. Daqui para frente, as estruturas que deixam o público curioso pelo próximo conteúdo podem se tornar mais importantes.
Por exemplo, você pode:
começar pela cena mais interessante,
terminar o vídeo logo antes da reviravolta,
deixar a resposta principal para o conteúdo completo,
ou mostrar primeiro o momento em que o conflito começa, para despertar a curiosidade do espectador.
O impacto dos vídeos curtos da Netflix para criadores e editores
1️⃣ Quando empresas globais de conteúdo como a Netflix entram de vez no mercado de vídeos curtos, a concorrência para os criadores de vídeos curtos comuns pode ficar ainda mais acirrada.
Isso porque, quando cenas marcantes de filmes e séries e conteúdos com alto orçamento de produção começam a aparecer nos feeds verticais, a qualidade média dos vídeos que o público assiste também tende a subir.
Nesse cenário, pode ficar difícil se diferenciar só criando vídeos com IA ou resumindo informações rapidamente.
Daqui para frente, os diferenciais mais importantes devem ser aquilo que as grandes empresas de conteúdo não conseguem copiar com facilidade, como experiências próprias, especialização em uma área, novas interpretações e pontos de vista, análise rápida de tendências e capacidade de contar histórias.
2️⃣ Por outro lado, podem surgir novas oportunidades para editores especializados em vídeos curtos.
Isso porque não só a Netflix, mas também emissoras, plataformas de streaming e marcas têm um acervo de vídeos longos, e a demanda para transformá-los em vídeos curtos deve continuar crescendo.
Mas, nesse processo, o papel de planejador e contador de histórias deve ficar ainda mais importante do que a simples habilidade de cortar vídeos. Editores que usam efeitos chamativos e fazem bons cortes já existem aos montes.
Por isso, quem edita vídeos curtos precisa pensar também em:
✔ quais cenas escolher,
✔ em que ponto começar o gancho,
✔ em que ordem montar o vídeo para gerar cliques e visualizações,
✔ e como levar o espectador de forma natural para o conteúdo completo.
Daqui para frente, editores de conteúdo capazes de reestruturar vídeos longos para o formato curto devem ser mais valorizados do que simples editores de vídeo.
Como o mercado de conteúdo muda depois que a Netflix aderiu aos vídeos curtos
A chegada dos vídeos curtos à Netflix não significa que criadores comuns possam publicar vídeos lá ou que tenha surgido uma nova fonte de receita com anúncios.
Mas essa mudança pode ser interpretada como um sinal de que os vídeos curtos deixaram de ser uma moda passageira e se consolidaram como uma forma de consumir conteúdo.
Daqui para frente, mais do que gerar muitas visualizações, deve ficar cada vez mais importante a capacidade de planejar o conteúdo: encontrar as cenas do vídeo longo com maior potencial de resposta, reestruturá-las de forma natural em vídeos curtos e, depois, levar o público de volta ao conteúdo completo, à marca, ao produto ou ao serviço.
No fim das contas, o mercado de vídeos curtos deve continuar crescendo. Mas os criadores que vão se destacar provavelmente não serão os que produzem mais vídeos curtos, e sim os que usam os vídeos curtos para planejar a próxima ação do espectador.
Se você começar desde já a desenvolver a capacidade de planejar e editar conteúdos de acordo com essa mudança, vai conseguir criar muito mais oportunidades daqui para frente.